Festival dos documentários mudos

Hoje acabou a jornada do cinema mudo em São Paulo. Não fui em nenhuma sessão, e já me arrependi antes mesmo de ter faltado. Mas aproveitando o gancho, vou colocar aqui nesse espaço alguns documentários mudos que estão na íntegra no YouTube.

The Fall of the Romanov Dinasty é o primeiro filme dirigido pela russa Esther Shub. Essa diretora é, essencialmente, uma montadora. Ela foi a primeira pessoa do mundo a fazer um documentário (esse aí de cima) de material de arquivo. Antes dela, ninguém tinha apostado nisso. Depois de analisar 60 mil metros de filmes, deu certo.

Esse filme trata dos últimos anos do czar e do comecinho da revolução russa. Ela é explícita em relação à intenção dela o tempo todo –mostrar como czar, nobres e burguesia viviam em um mundo paralelo e irreal e, ao mesmo tempo, levantar a bola da revolução.

Um exemplo: em uma cena, se vê uns nobres dançando em um navio super chique. Eles dançam, dançam, e daí o letreiro até brinca com uma mulher que limpa o suor do rosto. As cenas seguintes mostram trabalhadores braçais fazendo serviços ingratos e exaustivos.

A trilha sonora é sensacional, não sei se é original. Palpite: não é.

E esse é Grass. Trata-se de um filme “antropológico” (muitas aspas aqui, ok?). Mostra uma migração de um povo de 50 mil pessoas. A ideia é que o grupo retratado é de “primitivos”, que vivem como nossos ancestrais viviam.

Podemos deixar essas bobagens para trás porque o filme é muito bom. A viagem dos 50 mil é desesperadora. Eles demoram seis dias para atravessar um rio, precisam subir uma montanha super íngreme, enfrentam a neve descalços e quase morrem de fome no caminho. Isso tudo para deixar uma área que está improdutiva e ir para uma outra que tem pasto (a grama do título).

A equipe que fez o documentário é sensacional. Foram três pessoas. Uma era uma jornalista, cineasta e tradutora chamada Marguerite Harrison. Além de ser essas três coisas, era uma espiã americana no começo da Revolução Russa. Ela foi presa durante três anos pelos bolsheviques.

Os outros dois cineastas, mais tarde, produziram um filme de um gorila gigante, King Kong. Um dos dois, Merian Cooper,  tornou-se um dos maiores produtores do mundo, com The Searchers nas costas (no Brasil, The Searchers virou Rastros de Ódio, e para mim é o melhor bang bang de todos).

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19 agosto, 2012 · 11:41 pm

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