O melhor dos comentários do cinema

Gosto de conversas no cinema. Acho engraçado saber o que as pessoas estão pensando do filme. Talvez o que eu goste mais sejam os comentários “soltos”. Principalmente em sessões a R$ 1, na Galeria Olido ou no CCSP.

No último domingo fui numa sessão do filme Clima Frio, da Mostra Mumblecore. Em um momento um dos personagens arruma um emprego numa fábrica de gelo. Ele vai contar a novidade para a irmã, que recebe a notícia com surpresa e frustração.

– Uma fábrica de gelo?
– É. Por que, tem algum problema?
– Não, não, não tem nenhum problema. Eu nem sabia que existiam fábricas de gelo.
– Claro que existe, da onde você acha que vem aqueles cubos de gelo perfeitos?
– Não sei, acho que nunca tinha pensado nisso.

Duas amigas que estavam sentadas na fileira atrás da minha deram risadas. Uma delas, empolgada, fez questão de dizer que já tinha pensado de onde vinhas os cubos de gelo perfeitos.

No mesmo dia, mais tarde, vi The Puffy Chair, no CCSP. Trata-se de um road movie americano. Em um momento que as coisas dão errado, meus vizinhos exclamaram: “Ih, agora já era!”.

O mais legal mesmo foi uma sessão de filmes do Norman Mclaren há uns seis anos. Eu estava desempregado e entrei na sala do CCSP numa tarde de um dia de semana. Na época não se pagava nada para entrar, e acho que tinha uns 30 moradores de rua que resolveram passar o tempo do mesmo jeito que eu. Alguns, visivelmente bêbado, berravam “a bolinha!” ou “mas, rapaz!” e se esborrachavam de dar risada.

Às vezes irrita. Vi Dogville na Mostra, alguns dias antes de entrar em cartaz. A sala, no shopping Frei Caneca, estava entupida de gente, e o filme pra lá das 23h. O fim é tenso –a família da Nicole Kidman chega e as coisas ficam tensas. A uma altura, um imbecil gritou “esse eu mesmo pego, hahaha!”. Nunca vi ninguém tão massacrado por uma plateia. O cara foi muito, muito xingado.

1 comentário

Arquivado em Cinema, Uncategorized

Uma resposta para “O melhor dos comentários do cinema

  1. Lembro de quando fui ver Ilha do Medo no cinema. No meio do filme, aquela tensão toda, um cara obviamente entediado grita “que saco! Cadê a putaria?”. Achei tão inusitado e sincero que nem quis xingar.

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