A bicha de bordel realmente existia?

Ontem fui num filme cubano chamado “Cartas do Parque”. É ruim (apesar de ter sido dirigido pelo Tomás Gutierrez Alea), e não vou gastar tempo o descrevendo. A história se passa em 1913, numa cidade provinciana de Cuba. Um dos núcleos da história é um bordel, e entre as putas tem uma bicha. Uma bicha afetada, com roupas espalhafatosas, trejeitos muito femininos e que fala de uma maneira exagerada. As mulheres o adoram, e os clientes o toleram, dão risadas de algumas de suas graças.

Em “Toda Nudez Será Castigada” também tinha um personagem parecido. Procurei no YouTube uma cena para colocar aqui, mas não encontrei de jeito nenhum. Então vou transcrevê-la. Amanhece no puteiro. Na noite anterior, a Geni atendeu o Herculano, pai do Serginho, e, por isso, está feliz. O gay do bordel abre a janela e diz: “bom dia, sol!”. A Darlene Glória/Geni abre a porta da sala e diz: “bom dia, bicha!”. Como todo o resto do filme, a cena é sensacional.

Me lembrei desse caso, mas há outros. Pode reparar, todos os puteiros de filmes que se passam “no passado” têm bicha de bordel. É uma figura divertida, está quase sempre bêbada e se deixa ridicularizar por todos.

Hipótese 1: a bicha de bordel é totalmente ficcional, os roteiristas/diretores a colocam nos filmes para dar um clima descontraído aos puteiros.

Hipótese 2: os roteiristas/diretores colocam a bicha no bordéis porque realmente havia bichas loucas nos bordéis. Talvez eles fossem mercadoria diversificada para clientes com gostos heterodoxos (talvez heterodoxo não seja uma boa palavra). Talvez eles ajudassem na administração da casa, e para isso era melhor que fossem gays.

1 comentário

Arquivado em Cinema

Uma resposta para “A bicha de bordel realmente existia?

  1. Bem, é fato de que putas( sem nenhum “animus” pejorativo na expressão ), adoram um gay, e facilmente se encontra com eles. Talvez, a razão seja o mais óbvil, o não preconceito por parte da grande maioria dos homossexuais, em relação ao direito da livre disposição da sexualidade, já que o sexo é uma necessidade comum a todos nós, que somos dotados de arbítrio sobre ele. Vale observar que não estou comparando prostitutas e homossexualidade, seria absurdo, homossexualidade é comparável à heterossexualidade, enquanto sexualidade, já prostituir-se diz respeito à liberdade de ação sobre a forma como o indivíduo irá comportar-se sexualmente, o que quero dizer, é que nem pela sexualidade, nem pela disposição dela, devemos hostilizar o outro, e esta tolerância explica o porquê de homossexuais e putas, formarem laços amigáveis. Não frequento puteiros, mas fora deles, isto é uma realidade, incontestável. Mas, bem que os puteiros deveriam se adequar à modernidade, ambientes bissexuais, homossexuais e heterossexuais, tudo bem misturado, que no fim, tudo viraria uma grande suruba, afinal, o ser humano gosta de ser humano.

    Lucas Oliveira.

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