Furtar de lojas, um esporte

“Shoplifting”. Numa expressão livre, é pegar mercadorias de lojas sem pagar. Tem uma outra expressão em Inglês para se referir aos assaltos cometidos em “pessoas físicas” sem que elas percebam: “pickpocketing”. A gente joga tudo na vala comum do “furto”.

Uma fã das Slits

Foi lançado, nos EUA, um livro sobre “shoplifting” chamado “The Steal”, da autora Rachel Shteir. Não li e nem pretendo ler, mas gostei bastante da resenha do NY Times (aqui) feita por um Dwight Garner.

O autor da resenha diz que o que o agrada do volume são três coisas: as histórias de furtos em romances, as relações com gênero e classe e a história do “shoplifting” nos EUA nos anos 60 e 70.

Um trecho do artigo: “shoplifting became a ripe, yea-saying political act. ‘Ripping off,’ Abbie Hoffman wrote in ‘Steal This Book’ (1971), ‘is an act of revolutionary love.’ In ‘The Anarchist Cookbook’ William Powell titled one chapter, in part, ‘Shoplifting Can Get You High.’ Jerry Rubin, in his book ‘Do It,’ advised: ‘Don’t buy. Steal. If you act like it’s yours, no one will ask you to pay for it.'”

Acho engraçado como, nos anos 60 e 70, comportamentos que não teriam, a princípio, relação alguma com política, se tornavam políticos. Num texto maravilhoso da New Yorker (aqui) sobre um grupo de lésbicas americanas dessa época é relatado como muitas mulheres viraram lésbicas não porque sentiam desejos por mulheres, mas como uma maneira de contestar o machismo.

Voltando à lista de razões pelas quais o resenhista gostou do “The Steal”, “shoplifting” (estou usando esse termo porque, como já disse, não tem um equivalente em Português) é visto como um crime feminino, e alguns psicólogos ligam o ato à sexualidade reprimida. Segundo o NY Times, a autora do The Steal, Rachel Shteir , não embarca nos clichê fáceis de “maluca na loja”.

Não tenho estatísticas sobre isso, mas já ouvi tantas histórias de homens como de mulheres tentando se dar bem no esporte (algumas vezes conseguindo, outras fracassando). Acho que, talvez, essa seja uma modalidade mais feminina do que outras que exigem mais força física e ameaças (assaltos ou sequestros, por exemplo).

Nessa semana, vou fazer alguns “posts” sobre esse tema. Amanhã vou colocar aqui uma lista de dados que aprendi quando tentei fazer uma reportagem sobre o tema. O texto nunca foi para frente (não encontrei interessados em publicar, e não continuei). E depois vou contar algumas histórias de conhecidos (claro, sem identificar ninguém).

Hasta!

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Arquivado em Crime, Furto, Pickpocketing, Shoplifting

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