Romancista não tem sexo

O V.S. Naipaul falou bobagem. Constrangedor. Ele está gagá ou no processo de ficar gagá. Basicamente, disse que autoras mulheres não são iguais a ele.

Vou copiar aqui algumas aspas roubadas da matéria do Guardian:

“I read a piece of writing and within a paragraph or two I know whether it is by a woman or not. I think [it is] unequal to me.”

The author, who was born in Trinidad, said this was because of women’s “sentimentality, the narrow view of the world”. “And inevitably for a woman, she is not a complete master of a house, so that comes over in her writing too,” he said.

Para discordar com mais propriedade, eu teria que ler alguma coisa dele, o que nunca fiz. Mas quero discordar mesmo assim. E então aí vai uma lista de quatro romacistas vivas que são ótimas autoras.

Não coloquei nenhuma morta aqui (nada de Hilda Hilst, Gertrude Stein, Susan Sontag ou quetais) porque o Naipaul está mais ou menos vivo, e essa é a ideia.

Antes da lista, no entando, quero dizer que o Naipaul estava se comparando, inicialmente, à Jane Austen. Não gosto nem um pouco dela. E já que tô aqui, vou aproveitar para falar mal da Clarice Lispector, que deve ser a figura mais supervalorizada na literatura brasileira.

Jennifer Egan
Jennifer Egan
Li um romance e uma reportagem dela, e os dois são brilhantemente escritos. “A Visit From the Goon Squad” foi criticado na Folha recentemente por ter conteúdo fraco. Discordo. Acho que o tema envelhecer é tratado muito bem lá, apesar de concordar que ela quer mostrar demais “músculo” estilístico no romance.

“Freedom”, do Jonathan Franzen, é bem parecido com o livro dela. Os dois se passam mais ou menos na mesma época e têm uma correlação de enredo. Sinceramente, prefiro o livro dela.

Elfriede Jelinek
Elfriede JelinekA Efriede Jelinek é, sim, uma autora muito feminina. E acho que se eu lesse uns três parágrafos dela, sem saber a autoria, conseguiria dizer, conseguiria apontar a origem.

Mas o feminino dela não é bobinho que nem Jane Austen. Pelo contrário. É um dos melhores textos sobre violência, sobre explosões, sobre impotência e sobre submissão que já li.

A linguagem é difícil, com poucos diálogos, com muitos fluxos de (in)consciência. Mas geralmente o fim traz recompensas.

Zadie Smith

Escrevi recentemente sobre a Zadie Smith para dizer que meu conceito sobre ela melhorou muito. A prosa fácil dela, que flui rapidamente e que fisga o leitor pode dar a impressão de que ela é uma romancista “leve”. Mas ela é uma mulher extremamente culta e inteligente. Não a subestime, como eu fiz.

Fernanda Young

BRINKS! Fernanda Young é um lixo.

PS: Esse título é igual ao do texto de ontem, Cartunista não tem sexo, e os dois são para dizer que a palavra não tem sexo, mas que o sexo faz, sim, diferença para escrever/desenhar.

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Arquivado em Elfriede Jelinek, Fernanda Young, Jennifer Egan, Literatura, Naipaul, Zadie Smith

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