Criacionismo nos livros de biologia

Na minha sala do colégio tinha um evangélico. Era um cara inteligente, que não se encaixava naquela imagem de crente de calça social, camisa pra dentro e bíblia no suvaco. Ele procurou, no nosso livro de biologia, alguma referência ao criacionismo. Achou. Tinha uma página dizendo o que era. Ele se queixou à professora. Achou que o criacionismo era tratado de forma jocosa.

Claro que não acredito em criacionismo. Aliás, muitos religiosos também não acreditam. Mas acho que no colégio, nas aulas de biologia, se deve, sim, dizer que não há consenso sobre essa questão e listar quais as outras teorias que não a da evolução.

Tô escrevendo isso por conta da “polêmica” sobre o livro Viver, Aprender, que o MEC distribuiu. Acho que a autora está certa. Há décadas existe uma discussão entre linguistas e gramáticos sobre a língua “certa” e “errada”. Claro que o livro deve ensinar o que é “correto” de acordo com os padrões da norma culta. Mas um bom livro (como era o livro de biologia do meu colégio, que anotava a existência do criacionismo sem se aprofundar) precisa contar que a língua não é estanque, precisa dizer que se o emissor se fez compreender, ele foi bem sucedido e que mesmo assim existe preconceito linguístico. E é isso o que o livro faz.

Vi comentários de pessoas sinceramente indignadas com o livro. Provavelmente é uma indignação sincera. Mas tem uma dose de demofobia aí.

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