O palpite que muda o jogo

E aí o amor pode acontecer, de novo pra você! Palpite

Acho dificílimo acompanhar as discussões econômicas. Não vou fingir que entendo tudo que dizem os analistas. Muita coisa que sai nos jornais soa como Búlgaro para mim. E mesmo se eu compreendesse o caderno de economia inteiro, tem uma grande parte do noticiário econômico que é puro palpite.

O problema macroeconômico do momento é Real sobrevalorizado com ameaça da inflação. Sem esquecer que o país precisa crescer economicamente. Hoje, no Estadão, li duas colunas que tratam sobre o assunto. Na primeira, a ótima Suely Caldas diz que o governo tem que gastar muito menos para a inflação sumir – e isso, de quebra, ainda possibilitaria baixar os juros e desvalorizar o Real. Resumo, a taxa de juros básica do Brasil só chegará a um nível civilizado depois que o governo cortar gastos. Algumas páginas depois, o Amir Khair fala que “Reduzir a Selic é o primeiro passo a ser dado para um crescimento sustentável com equilíbrio das contas internas e externas e eliminação da especulação externa que tantos males vem causano ao país”. E aí, o que concluir? Não tenho ideia.

Além das colunas sobre economia, as matérias dos cadernos econômicos são, quase sempre, apanhados de pitacos. Os jornalistas ouvem opinição de algum diretor de banco, de algum economista de consultoria e um ex-manda-chuva do Banco Central. Pronto, os “analistas” apontaram uma tendência. O importante é dar seu palpite sem titubear. Não tem um “talvez” nessas colunas. Não tem muito “pode ser que”.

A coluna de hoje do Amir Khair é bastante boa, apesar do texto difícil. Ele disse uma coisa que ainda não tinha ouvido até agora. Vou tentar resumir.

Todas as segundas-feiras o Banco Central divulga um boletim chamado Focus. O que tem nesse boletim? Tem as opiniões de analistas sobre qual vai ser a inflação nos próximos meses, quanto o país irá crescer, qual será o tamanho da dívida, o valor do dólar, etc…

Como é feito esse Boletim Focus? É uma média do palpite de vários analistas. De acordo com o Amir Khair, 90% desses analistas que formam o pitaco do tal boletim são de instituições financeiras, e 6% são consultorias (que seguem essas instituições). Acontece que o mercado financeiro tem interesses em jogo. Exemplo: quanto mais alta a Selic, mais os bancos ganham. Quanto mais preocupado o Copom com a inflação, melhor para eles.

Tá legal, mas as análises não são feitas com base em achismos, certo? Há modelos econométricos, e só ficam no Boletim Focus as instituições que mais acertam as previsões. Mesmo assim continuam existindo incentivos para determinadas previsões. O mais sinistro é que esse Boletim Focus e as expectativas expressas nas matérias de jornais têm uma força tão grande que podem moldar o futuro. Se eu sou um industrial que acompanha o boletim Focus, vou ajustar minha produção dos próximos meses de acordo com esses palpites. É um dilema – a previsão da inflação foi exata ou a inflação se adaptou às previsões?

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Arquivado em Amir Khair, Suely Caldas

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