Direitinhas, uma taxonomia

Os esquerdinhas caricatos são bem conhecidos. Todo mundo sabe o que é o 68 (Meia-Oito). Se não sabia, vai saber agora: stalinista clássico que não reconhecia a decadência da União Soviética nos anos 70 e 80. A esquerda festiva era aquela que não estava muito disposta a enfrenter todos os volumes de O Capital. Os maoístas do PC do B diziam que a Albânia era o modelo ideal de governo. Os posadistas eram uma mistura de comunistas com ufólogos (a grosso modo). Posso me lembrar de outros tipinhos de esquerdinhas, mas isso já foi feito.

No entanto não existem muitas caricaturas de direitinhas. Então vou propor alguns tipinhos básicos de direitinhas que apareceram de uns anos para cá. Nada científico, claro. Aí vai:

O “Eu sei que a Esquerda é o demônio, eu já fui de Esquerda”. É um dos tipos mais comuns. Acham que o fato de terem participado de alguma organização esquerdista há décadas os deu um conhecimento das entranhas da Esquerda, e hoje vivem de “denunciar” as tendências autoritárias dos socialistas no poder. Volta e meia falam da possibilidade de censura. Casos: Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo e, mais recentemente, Soninha (a versão dela é “eu sei que o PT é o demônio, eu já fui do PT”).

O “Bom mesmo é o Maluf”. Esse está desaparecendo, mas era muito comum em São Paulo. O “Bom mesmo é o Maluf” é menos politizado do que os outros direitinhas. Eles geralmente não dão muita bola para política e, pra acabar com qualquer questão enfadonha, eles soltam a clássica “Bom mesmo é o Maluf”, que enterra qualquer discussão.

O “Eu falo mesmo” é um tipinho histriônico. O Bolsonaro e o Danilo Gentili são dois exemplares essa espécie. O maior inimigo dos “Eu falo mesmo” são os “politicamente corretos”. Nunca entedi direito quem são esses, mas sei que ninguém é tão atacado. Se você quer ser original, defenda o politicamente correto, porque isso ninguém faz. O problema dos “Eu falo mesmo” é que às vezes eles confundem ser “politicamente incorreto” com agressividade e, em casos extremos, preconceito e racismo quase criminosos.

O “O Brasil precisa de uma nova Direita”. Esses tentam trazer um ar de modernidado à Direita, mas não sei exatamente qual é essa grande novidade que a Direita precisa. De qualquer forma, esse é o tipo de direitinha que mais se prolifera. Acho que a tentativa do PFL de se “modernizar” ao se transformar em DEM (aquele logo da árvore é muito legal) foi resultado da influência desses novos direitinhas. Assim como a Esquerda tem as suas divisões, o “O Brasil precisa de uma nova Direita” não tolera o “Bom mesmo é o Maluf”.

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