Freaks na moda

Li um post legal no blog do Olavo sobre o “Freakonomics”. Ele fala de um dos artigos do livro. Torci o nariz na primeira vez que vi a capa “Freakonomics” nas livrarias. Achei o neologismo bobo e não me interessei pelos rogue economists (economistas trapaceiros). Só fui atrás depois de ler boas críticas e de ouvir amigos e parentes elogiarem. Claro que adorei. Hoje “Freakonomics” é marca de vários produtos. Eles lançaram um segundo livro, o “Superfreakonomics”, e também tem o podcast, aplicativos para iPad, um blogue e, se não me engano, gravaram um documentário.

O jeitão que o Levitt e Dubner popularizaram é basicamente o seguinte: eles estudam assuntos marginalizados pela academia e pelos grandes explicadores, e interpretam com seriedade, usando abordagens inesperadas. Como eles são bons, conseguem mostrar como esses assuntos “zebras” são, na verdade, importantes motores de grandes mudanças. Mas o maior mérito é um outro, do qual falo já já.

Essa “fórmula” funcionou tão bem que se espalhou, virou febre. Virou um estilo de intepretação do mundo. O NYTimes, além de abrigar o próprio blog Freakonomics, tem um outro blog chamado Economix para falar sobre a economia da vida cotidiana (o post mais recente explica que as pessoas mais altas são mais felizes). O livro que estou lendo agora, “The Rational Optimist”, é um “Freakonomics” com mais ideologia e mais pretensões. A Slate tem o “The Explainer”, que é um pouco diferente, mas vai mais ou menos na mesma linha. Tem outros que não conheço, como o livro “Falsa Economia” e os artigos do Malcolm Gladwell.

Mundo de Beakman sobre temas interessantes. Um deles até se parece como Beakman


Nem todos esses caras são economistas. E taí o mais legal do “gênero”: a mistureba de ciências. Tem um pouco de economia, sociologia, biologia, história e o que mais estiver disponível. Nós não estamos acostumados com essa heterodoxia acadêmica. No colégio as matérias são muito compartimentalizadas, separadas, é uma taxonomia de conhecimento rígida. Talvez porque assim seja mais fácil ensinar e também aprender, e não é à toa que no mundo inteiro funciona assim (imagino).

Agora a desvantagem. Os artigos são curtos, escritos para serem prazerosos, e o leitor não precisa conhecer economia, sociologia, biologia, história e o que mais estiver disponível para entendê-los. Quando não dá para fugir, os autores explicam rapidamente alguma teoria mais complexa. Isso, claro, nos torna reféns. Não dá para discordar sem conhecer um pouco. E é legal discordar. Mesmo quando a gente gosta de um autor é bom não compartilhar todas as ideias dele.

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Arquivado em Freakonomics, Levitt e Dubner, Malcolm Gladwell, Rational Optimist, Slate

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