Higienópolis leaks

Meu primo trabalhava na região da Berrini. Num dia ele estava almoçando num restaurante esquema buffet quando recebeu uma ligação. “Sr Fulano, você está nesse momento fazendo compras no Shopping Morumbi?”, perguntavam. Ele entendeu o que tinha acontecido. Quando ele saiu da mesa para pegar a comida, deixou o terno sozinho. A carteira estava no bolso, e um ladrão levou o cartão de crédito, andou algumas quadras e foi se esbaldar no Shopping Morumbi.

Meu primo ligou pra polícia e foi pra lá. Chegando, contou a história para um segurança. O segurança já estava sabendo, e chamou o chefe. O manda chuva tranquilizou meu primo. O ladrão estava sendo seguido e, na rua, já havia policiais esperando o cara. O ladrão (sem dúvida um cara bem inexperiente) foi preso em flagrante discretamente, longe dos consumidores. A ação foi coordenada pelos seguranças do shopping.

Dezenas de policiais fazem bico no Morumbi como seguranças. Se tem algum problema, eles chamam os amigos que estão trabalhando. Por que estou contando essa história? Porque não acredito muito em teorias de planos secretos e espionagem interna.

Flagrante do Higienópolis leak

O secretário de Segurança de São Paulo, o Antonio Ferreira Pinto, pode cair por causa dessa imagem aí de cima. Ninguém fala com todas as letras o que aconteceu aí. A foto é o batom na cueca. Nesse encontro com um repórter da Folha o secretário vazou a notícia de que o Túlio Kahn, coordenador de estatísticas da Secretaria e homem do Saulo e do Alckmin, vendia informações sigilosas para empresas de segurança. Depois que apareceu o vídeo há suspeitas de que o secretário estava sendo espionado. O encontro aconteceu no shopping Pátio Higienópolis.

Pode apostar, o lugar que o secretário marcou para encontrar o repórter deve empregar muitos policiais como seguranças. Se ele queria vazar com discrição era melhor marcar o encontro num lugar sem policiais. Onde? Bem, as estatísticas que o Túlio Kahn vendia devem mostrar onde não tem polícia.

PS: O mais importante nessa história toda não é o nhém nhém nhém entre o Saulo (Alckmin) e o Antonio Ferreira Pinto (Serra). É o fato de esses dados serem sigilosos. O Infocrim deveria estar disponível para todo mundo, pela internet. Eu quero saber se no bairro do restaurante buffet que frequento é comum levarem cartões de crédito esquecidos em bolsos de paletó. A polícia tem esses dados e deveria ser obrigados a divulgá-los.

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