Meu carnaval de 1978

Depois a gente jogou de volta na água.

Mobiliários de casas de campo ou de praia são museus. Imagino que haja algum tipo de lei que obriga os donos a levar os móveis que foram da tia que morreu solteirona, o fogão velho e a TV da geração passada. Os vidros das janelas têm adesivos de estações de rádio que não existem mais, e em algum canto estão pôsteres dos Menudos jovens ou dos Backstreet Boys jovens (incrível, mas esses são sempre dos filhos dos caseiros do passado!). E é só procurar um pouco que a gente acha umas roupas de 85 e – o que eu mais gosto – umas revistas. Sempre tem revista antiga em casa de campo ou de praia.

Careca antes do Sebastião Lazaroni

Passei o carnaval numa fazenda do interior de Minas Gerais. Um lugar bem bonito. A matriz deve ter, por baixo, uns 80 anos. E, como todas as casas de campo, abriga uma coleção de móveis velhos, roupas velhas e revistas velhas (os pôsteres e os adesivos eu não vi). Apesar de ter levado meu kindle, o que fez minha alegria nos dias chuvosos (todos) foi uma Veja de 1978.

A página de esportes noticiava o aparecimento de um garoto de 17 anos no Guarani. No fim daquele ano de 1978 o time de Campinas seria campeão brasileiro. Mais tarde o jogador foi companheiro de clube (Napoli) e amigo do maior jogador de todos os tempos.

Uma matéria fala de um dos candidatos à presidência, o general Euler Bentes. Em uma foto ele aparece fazendo campanha ao lado de sindicalistas (não me pergunte pra que, já que quem decidia era o colégio eleitoral). Sim, lá está o Lula, ainda de bigode. Engraçado que o coadjuvante da foto tenha se sido eleito presidente duas vezes e o “personagem” tenha virado nota de rodapé (o tal Euler perdeu para o Figueiredo). A reportagem de capa, sobre “como conviver com as greves”, estranhamente não menciona o (hoje) ex-presidente.

Antes da reunião no Sion. O Lula está no canto direito, de colete branco

O que mais chamou a atenção foi a matéria sobre a guerrilha do Araguaia. A revista é de 1978, e havia anos que o exército tinha acabado com o “foco”. Por causa da censura, a notícia aparecia com seis anos de atraso. Depois descrevo a matéria sobre a guerrilha, agora tô com preguiça.

PS: O legal de encontrar essas publicações velhas é que não se sabe ao certo o que vai se encontrar nas páginas sujas. Tem uma outra coisa quase tão legal quanto, que é o arquivo que a Folha disponibilizou online.

1 comentário

Arquivado em Careca, Guerrilha do Araguaia, Lula, Uncategorized

Uma resposta para “Meu carnaval de 1978

  1. Carla Plais

    Oi Felipe,
    Gosto muito dos seus textos,e me identifiquei muito com o texto acima,pois sou mineira e sei que o interior de Minas Gerais é cheio de bons lugares para descansar,fugir do carnaval e apreciar belas paisagens.
    Eu também gosto de coisas antigas:músicas,livros,revistas,filmes (meus canais de TV preferidos são Tele Cine Cult e TCM).
    E também gosto muito da arquitetura antiga.Se morasse em uma casa assim aqui na capital,não venderia por dinhero nenhum!!!
    Um Abraço!!
    Carla Plais

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