Odd Future é o futuro do rap

É estranho usar “coletivo” para descrever uma banda, mas no caso do Odd Future a palavra é a mais apropriada. São nove membros (Tyler the Creator, Hodgy Beats, Earl Sweatshirt, Domo Genesis, Mike G, Frank Ocean, Left Brain, The Super 3, Syd tha Kyd) que às vezes se dividem em três grupos, mas também podem lançar discos solos. Essas várias formações lembram um pouco o Wu-Tang Clan, talvez o “coletivo” de rap mais bem sucedido da história.

O nome inteiro do Odd Future é Odd Future Wolf Gang Kill Them All, e de uns meses pra cá eles aparecem em todos os cantos. Os membros fizeram uma apresentação arrasadora no Jimmy Fallon, uma esquete no Funny or Die, remixaram uma música da Lykke Li e foram remixados por um dos ícones do Chill Wave, o Toro y Moi. E foram objeto de perfis do NY Times e de outros jornalões americanos e da MTV de lá.

É bastante impressionante para um grupo de garotos de Los Angeles cujas idades variam entre 17 e 20 anos. Um dos rappers, o Earl Sweatshirt, tinha só 16 quando lançou seu primeiro disco pelo Tumblr deles (http://oddfuture.tumblr.com). Atualmente, ele está sumido. O irmão dele, o Tyler, the Creator, o mais prolífico de todos, disse ao NY Times que conversa todos os dias com Earl, mas não dá pistas sobre o paradeiro do rapaz. Especula-se que ele esteja preso ou que tenha sido enviado para um internato pela mãe (!).

A molecada tem um jeitão bem diferente dos rappers clássicos. São skatistas e se vestem como skatistas, as apresentações mais parecem um show do começo do hardcore (pensa no Henry Rollins nos shows do Black Flag) e o Tyler já declarou ser fã de bandas nada ortodoxas para o universo do hip hop (Stereolab, Grizzly Bear, por exemplo).

As letras, claro, têm a agressividade de moleques de 18 anos revoltados desde que foram abandonados pelos pais (no caso dos irmãos Tyler e Earl, desde sempre). São temas juvenis como “Kill People, Burn Shit, Fuck School”. Dá uma olhada num trecho de “Earl”, do próprio Earl: “Without a doubt a surefire way to get your mother fucked/ Ask her for a couple bucks, shove a trumpet up her butt/ Play a song, invade her thong my dick is having guts for lunch/ as well as supper, then i’ll rummage through a ruptured cunt/”. Não é nada que não tenha sido dito antes. O Eminem já xingou a própria mãe nas letras, mas talvez ele não usasse tantos “fucks” nas canções. Mas é inevitável que a cada nova geração de rappers o número de “fucks” por canção aumente. Apesar do conteúdo machista das letras, há uma garota no coletivo, a Syd tha Kid. O som tem muitos drones, aqueles ruídos mais comuns em gêneros como o post rock, mas também há canções mais dark e outras com mais batidas. E, graças a Deus, nada de partes melodiosas como as que aparecem nos discos do Kanye West.

No tumbrl deles tem um monte de discos disponíveis.

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