Shabby

Há alguns meses vi uma conversa entre o Daniel Katylene, e o Cazé, na MTV. Entrevistador e entrevistado pareciam enfadados e desinteressados. Mas teve uma parte bem legal. Segundo a “Katylene”, fãs de artistas “sérios” se enfurecem mais do que os outros. No caso do blog dele, uma crítica feita à Madonna aumenta o número de comentários. E a tônica desses é que é uma heresia atacar a ex de Jesus.

Lembrei disso quando li um post do blog do Antônio Prata. Ele criticou Cisne Negro e, por isso, foi criticado com raiva nos comentários. O chamaram de pretensioso, machista, injusto, leviano e por aí vai. As respostas ao texto são quase todas sobre a personalidade dele (ou melhor, sobre o que os leitores concluíram sobre esse assunto depois de lerem o que ele escreveu sobre o filme do Aronofsky).

Não vou criticar os críticos do crítico. Acho legal que exista a possibilidade de os leitores mandarem suas opiniões. E tenho inveja do autor de um texto sobre um filme que consegue levantar tanta polêmica e raiva. Só acho curioso que tanta gente assim fique amargurada quando se critica uma obra “séria”.

Com o Discurso do Rei aconteceu algo parecido. O filme, todo mundo sabe, levou o Oscar de melhor filme e de uma porrada de outras categorias.

Muito legal esse design minimalista do pôster.

Há um tempo o escritor Christopher Hitchens escreveu uma coluna na Slate em que aponta erros históricos em O Discurso do Rei. Principalmente na relação entre o Churchill e o rei gago. Segundo o Hitchens, o Churchill era favorável à permanência de Eduardo VIII. O primeiro texto do Hitchens sobre o filme está aqui (sim, houve mais um).

O roteirista, David Sedler, deu uma entrevista para o Huffington Post para reclamar. E o Hitchens respondeu. O roteirista e o escritor entraram numa disputa sobre quem aderiu em qual momento. Detalhista demais, mas mesmo assim interessante.

O mais importante: o roteirista achou as primeiras críticas inadmissíveis, e que seriam parte de uma estratégia para que o Oscar fosse dado a um outro concorrente que não ele. O David Sedler diz isso isso na entrevista.

Como se fosse um fã da Madonna que lê o blog da Katylene ou alguém que saiu de Cisne Negro e viu o texto do Antônio Prata, o roteirista, tacitamente, diz que a única justificativa para as críticas são os interesses por trás do Oscar. Patético.

Irritou o Hitchens, que na tréplica acaba torcendo para que o temor do roteirista Sadler se concretize: “Oscars should go to those who entertain and amuse. But if the academy gives an award to Seidler, a man who absurdly fancies himself subject to persecution when confronted with the historical record, it will have conferred approval on something, and someone, extremely shabby” (roto, maltrapilho, gasto).

Para o Hitchens, filme e roteiristas são extremamente "shabby".

No último domingo o Oscar de melhor roteiro foi dado ao Sadler, por O Discurso do Rei.

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