Mini guia para pedalar entre carros

Bicicletada da Bat for Lashes

Já participei de algumas bicicletadas em São Paulo. Os eventos são animados, é muito legal pedalar com uma multidão, ver a reação das pessoas nas calçadas e – confesso – gosto também de notar os motoristas irritados, mas impotentes quando a massa atravessa.

Para andar num grupo único, coeso, sem carros entre os ciclistas, alguns grupos pequenos de ciclistas “voluntários” “seguram” os carros que queiram cruzar a via. Geralmente uns seis caras se posicionam com suas bicicletas na frente dos veículos que parados nas transversais. Quando o sinal fica verde, os carros têm que esperar ainda mais tempo parados até a bicicletada inteira passar. Ou vão atropelar dezenas de pessoas. O sociopata de Porto Alegre não esperou. E, acreditem, não foi o primeiro. Já vi vários outros ensaiarem um boliche carniceiro.


“And my bikes illegal, so they send for the law”, essa do Cool Kids arrebenta. Nunca andei com essas bicicletas de manobra. Muito caras, e só servem pra manobra.

O caso de Porto Alegre é muito triste e chama muita atenção. Mas obviamente é uma exceção. Dificilmente um ciclista vai ser atropelado num grupo grande. Existe segurança em números, segundo um ditado em Inglês. O mais comum é um veículo atropelar um ciclista sozinho. Aí vão algumas dicas de quem anda (bastante) em ruas congestionadas em São Paulo. Eu.

1) Com a exceção dos sociopatas gaúchos, ninguém quer atropelar um ciclista. Mas eles não enxergam você na rua. Faça-se notar. Não precisa usar roupa de new raver. Quando tem um carro muito atrás de mim, fico bem no meio da pista para ele me ver. À medida que ele se aproxima, vou mais para o canto. Um cuidado extra: quando os veículos estão longe, é comum vir uma fila de carros. Apenas o que está na frente te vê. Os outros não. Se tiver calçada com guia rebaixada, tente subir.

2) Conheça o caminho que está fazendo. Se você sabe, por exemplo, que muita gente vira numa esquina, já chegue mais ou menos preparado a esse ponto.

3) Não ande na contramão. As velocidades (da bicicleta e dos carros) se somam. E quanto mais rápido, mais arriscado.

4) Os motoristas de ônibus tratam os ciclistas mais ou menos como os oficiais da SS do Hitler tratavam os judeus. Ou como os hutus acariciavam os tutsis em Ruanda, nos anos 90. E o pior é que os ciclistas têm que andar justo na faixa dos ônibus, a da direita. Como os coletivos param o tempo todo, é comum encontrar o mesmo busão várias vezes. Funciona assim: ele está parado no ponto e você o ultrapassa. Daí ele pega embalo, passa na sua frente para parar depois de 25 metros, no outro ponto. Daí você ultrapassa ele de novo. Ele acelera e te deixa pra trás de novo. Até que alguém saia do trajeto. O melhor nessa situação é fingir que você é “camarada” do motorista. Acenar um “joinha” com o dedão e tentar sorrir, tudo isso conta para que ele tenha um pouco de dó e dê uma margem de alguns centímetros a mais no momento da ultrapassagem.

5) Essa não é bem uma dica, é mais uma constatação. Quem dirige (e eu dirijo) sabe um pouquinho melhor como funciona a cabeça dos motoristas. Saber o que o cara quer pode te ajudar a prever a ação dele – e se mexer de acordo com isso.

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Arquivado em Ônibus, Bat for Lashes, Bicicleta, Cool Kids, São Paulo

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