A Visit from the Goon Squad

Os metaleiros adoraram o Massacration, a banda de tiração de onda o Hermes e Renato fizeram. Na Galeria do Rock os fãs de Megadeath e Iron Maiden andavam com camisetas do conjunto fake, provando que se lhes falta bom gosto, sobra em bom humor. Lendo “A Visit From the Goon Squad” me lembrei deles.

O David Foster Wallace escrevia de um jeito muito marcante. A prosa dele era única, não tem como ser mimetizada. Era metido, claro, com longas digressões, às vezes bem chatas. Mas todos textos têm momentos brilhantes de mordacidade e esperteza. Acho que nunca vou esquecer de algumas sacadas maravilhosas (“It never once occurs to him, though, that the reason he’s so unhappy is that he’s an asshole”). Em resumo: sou fã do cara.

Mesmo assim, rachei o bico com a paródia de David Foster Wallace que a Jennifer Egan fez em um capítulo de “A Visit From the Goon Squad”.

Duvido que alguma editora lance esse livro no Brasil. Procurei o nome da autora em arquivos de dois jornais grandes e não achei nada. O romance, como já disse aqui, é sobre envelhecer (“time’s a goon“). Sobre como a geração do fim do começo da década de 80, do pós punk, envelheceu – mais ou menos o mesmo pessoal retratado pelo “Freedom”, do Jonathan Franzen.

Como o filme Durval Discos se inspirava em vinis, esse livro tem capítulos que funcionam como faixas de um disco. Divididos em lado A e lado B, cada capítulo é sob um ponto de vista diferente, e a Jennifer Egan até escreve de formas diferentes.

Num desses capítulos quem “escreve” é um jornalista de celebridades metido à besta, que precisa fazer o perfil de uma nova starlet. (Um dos personagens “assume” uma parte da narrativa, assim como em “Freedom”). E ele (ou ela, a Jennifer Egan) imita o jeito do David Foster Wallace bem pra caralho. Quem leu um pouquinho dos textos de não ficção dele vai reconhecer imediatamente (as digressões com histórias pessoais, os “i.e.” (ele usa isso direto, tive que procurar para saber o que é), as teorias “sérias” para explicar acontecimentos triviais, está tudo lá. O asterisco sobre como as partículas se unem em torno de um ponto do universo para explicar a distribuição de mesas num restaurante vale o romance inteiro.

(Acabo de ver no Youtube um vídeo velho que mostra que nem todos os metaleiros gostaram de Massacration. Num prêmio de música, o apresentador de melhor disco de metal foi um Kiko Loureiro. Busquei no Google e descobri que ele era do Angra. E o Hermes e Renato ganham! Na hora de entregar, o ex-Angra diz “Tanta banda boa por aí, mas quem ganhou foi o Massacration”. O legal é que ele tem que entregar o prêmio para os comediantes. Sem graça, ele sai do palco.

1 comentário

Arquivado em A Visit From the Goon Squad, David Foster Wallace, Freedom, Jennifer Egan, Jonathan Franzen

Uma resposta para “A Visit from the Goon Squad

  1. Tony Tramell

    Agora que ela ganhou o Pullitzer alguém deve publicar aqui!!!

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