Filme americano made in Brazil

Ontem fui levado ao cinema para ver Tropa de Elite 2. Não queria, mas uma força poderosa me obrigou, e acabei cedendo. Aí vai minha opinião.

O cinema clássico americano é aquele em que a plateia é apresentada ao grande desafio no começo do filme. O herói vai conseguir o objetivo no final, mas até lá, vários “pequenos” desafios se impõem. O Indiana Jones tem que conseguir o cálice sagrado antes dos nazistas. Esse é o grande desafio. Mas para isso ele precisa se passar por um nazista num zepellin alemão. Depois tem que derrotar uma tropa inimiga numerosa no deserto. Depois ele é surpreendido pela nazista que, até então, julgava ser uma aliada. Assim passam as duas horas até ele meter a mão no cálice.

Tropa de Elite é um filme americano disfarçado de brasileiro. O herói tem que acabar com tudo que é de ruim no Rio de Janeiro – os policiais corruptos, os traficantes, os maconheiros, etc. Antes disso, ele escapa de uma emboscada na saída do hospital, ele reata com o filho (sim, os desafios não são só os que implicam em risco de vida), ele vai do inferno para o céu por conta de uma operação em Bangu. Assim se passa o tempo da narração até o fim do filme, que eu obviamente não vou falar qual é.

Os bandidos, como nos filmes americanos, são feios, cafonas, facilmente identificáveis pela plateia, não têm nuances. O bandido do primeiro episódio, o traficante Baiano, tinha cara de árabe – tinha pele escura, mas não era negro, um grande nariz aquilino, e o cabelo enrolado e comprido. O protagonista, que narra em off, é um cara durão, mas que também faz piadinhas, que solta algumas frases mordazes, sabe ser cool quando precisa. Mais ou menos como o Bruce Willis em todos os papéis da vida dele. Nesse segundo episódio aparece uma temática dos filmes tipicamente americanos: o inimigo está logo ao lado, no outro gabinete, e durante o Tropa 2 o Capitão Nascimento descobre lentamente de quem ele é. Mais ou menos como a nazista do Indiana Jones.

Os atores são muito bons, as cenas de ação são bem filmadas, a fotografia e a ambientação são suficientemente boas para não serem notadas e o áudio é impecável. Bráulio Mantovani é um gênio, os diálogos são muito bem escritos, o roteiro é todo amarradinho. Ou seja, tecnicamente, Tropa de Elite é perfeito. Como os filmes americanos. Hollywood.

Qual o sentido de fazer um filme americano como temática e ambientação brasileiras? Pra mim, é levar multidões aos cinemas. Acho ótimo que um filme nacional consiga levar tanta gente para as salas. Acho a mesma coisa de Se Eu Fosse Você, por exemplo. A gente tem que comemorar os bons resultados que o filme consegue nas bilheterias. Mais nada.

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Arquivado em Cinema, Tropa de Elite

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