As Variáveis Dimensões da Arte

Banhistas, do Cézanne

Em dezembro de 1962, 144 quadros da exposição Cien Años de Pintura en Francia chegaram à Venezuela. O Museu Nacional de Belas Artes, em Caracas, abrigou a mostra.

No dia 16 de janeiro de 1963 houve o furto de cinco quadros. Vasos e Peras, do Georges Braque, Natureza Morta do Picasso, Banhistas, do Cézanne, Frilitárias em Vaso de Cobre, do Van Gogh e Natureza Morta do Gaguin.

Na época, o presidente do país se chamava Rómulo Betancourt. Ele havia sido eleito democraticamente em 1959, apesar de ter sido um ditador alguns anos antes. Uma das medidas de Betancourt foi botar na ilegalidade o Partido Comunista Venezuelano.

Como resposta, os comunistas formaram uma frente de guerrilha para derrubar o presidente. O principal grupo de resistência se chamava Fuerzas Armadas de Liberación Nacional (FALN). Tomar o poder não parecia tão impossível – em Cuba, a revolução tirou Fulgêncio Batista do país em 1959, mesmo ano em que Betancourt foi eleito na Venezuela.

Nancy Zambramo era da FALN. Ela pertenceu à organização entre os anos de 61 e 69. Ela participou da ação que “expropriou” os quadros em 1963. Pelas informações que existem, ela foi responsável por retirar um dos quadros, o Banhistas, do Paul Cézanne.

Há uma foto, tirada no dia 18 de janeiro, desse quadro com um bebê na frente. A foto, provavelmente, foi tirada por um dos chefes da FALN, chamado Luis Fernando Vera Betancourt (Comandante Plutarco).

Os quadros ficaram desaparecidos por 72 horas. No dia 19 de janeiro de 1963 a polícia trouxe os quadros de volta. No dia 20 eles foram levados de volta ao museu.

Em 1967, Nancy Zambramo foi a julgamento. Banhistas está exposto no Museu D’Orsay, em Paris.

Essa é a incrível história contada numa das obras da 29 Bienal de São Paulo. Não sei se é realmente verdadeira – ou se tudo dessa história é verdadeira. Sei que adorei a ideia. O artista plástico, um mexicano chamado Mário Garcia Torres, montou uma sala de museu sisuda, com quadros na parede e uma cadeira de vigilante. O nome é Las Variables Dimensiones del Arte.

Policiais venezuelanos retornam quadros ao Museu de Belas Artes

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Arquivado em Arte, Bienal de São Paulo, Fuerzas Armadas de Liberación Nacional (FALN), Mário Garcia Torres, Rómulo Betancourt

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