Thurston Moore finge que é a Susan Sontag

O Thurston Moore é um gênio. Sonic Youth é uma das cinco maiores bandas/cantores de todos os tempos (sem contar as obviedades e sem os lugares comuns, claro). E ele é blogueiro. O sítio dele se chama flowers & cream. O endereço é flowersandcream.blogspot.com.

Não tinha dado muita atenção até ler esse post. Achei tão bonito que vou reproduzir grande parte aqui neste espaço.

One of the great small press poetry publishers, O Books, out of Berkeley CA, issued in 1989 the first English translation of It Then, a book of poems by the late French poet Danielle Collobert. Not too much is known of Collobert outside of the rabid enthusiasts of her minimalist, self erasing style but she has an intriguing history. Born in 1940, published her first book of poems, Chant de Guerres (Song of Wars), in 1960, hunts down every extant copy and destroys them, becomes a political activist involved with publishing the Revolution Africaine newsletter, publishes the Raymond Queneau championed book Muerte (Murder) in 1964, travels extensively, writes and performs radio plays, publishes Il Donc (It Then), in 1976, and commits suicide in her hotel room in Paris the night before her birthday July 24th, 1978. Collobert, by this nature, strikes a dark and romantic visage, especially gazing upon the jacket photo of her downward gaze and the sensual sadness of her beauty. The work is astounding, moving across the page with a sonance both velvet and machine-gun like. The translation allows us meaning but the poetry here is compromised by not hearing the sound of the writer’s language. Even so, the thought process, the artistry of the trajectory, comes clear – and it is not always pretty. In fact it is pretty frightening, the emotional negotiations to the poison of inhumanity as well as the living psychology of being female, indeed being REAL.

Em seguida, o frontman do SY coloca um trecho do poema da Danielle Collobert. Pula lá no blogue dele para ler, é realmente bonito.

O que me chamou a atenção foi a descrição que ele fez das poesias da francesa – “astounding, moving across the page with a sonance both velvet and machine-gun like. (…) the thought process, the artistry of the trajectory (…) is pretty frightening, the emotional negotiations to the poison of inhumanity as well as the living psychology of being female, indeed, being REAL”. Dá vontade de ler, mesmo sendo poesia. Agora, acho que um som tanto de veludo como de metralhadora é uma maneira de descrever muitas das coisas bonitas que o próprio SY fez. É aquela intercalação de momentos líricos e melódicos delicados, sinceros, às vezes minimalistas, com a experimentação “suja”, os jams longos, feitos para não serem compreendidos, às vezes para machucar. Muita gente faz isso. Ninguém faz melhor do que o Sonic Youth.

PS: O título desse post se explica assim: ninguém desperta mais me interesse por algum livro ou peça ou fotografia do que a Susan Sontag. Ela era uma intelectual (na falta de palavra melhor) extremamente interessada em outros intelectuais, e assim apresentava ao leitor o que lhe agradava. E acho que o Thurston Moore fez algo semelhante nesse texto dele.

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Arquivado em Danielle Collobert, Literatura, Poesia, Sonic Youth, Susan Sontag, Thurston Moore

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