Em uma das cenas de A Árvore da Vida, o personagem interpretado pelo Brad Pitt ensina o filho a tirar ervas daninhas do gramado. Ele insiste na importância do garoto arrancar a raiz, porque assim a praga não volta. O menino tenta imitar o gesto do pai. Ele não consegue. Esse diálogo é o mais importante do filme inteiro.
Em várias tomadas vemos o jardim cheio de buracos, e numa das cenas finais, pai e filho colhem pés de hortaliças estragadas por alguma praga.
Se você vive em Marte e não sabe o que é A Árvore da Vida, trata-se de um filme do Terrence Malick que venceu Cannes. Foi bancado e estrelado pelo Brad Pitt. Ele faz esse pai extremamente rígido e às vezes irascível. A história se desenvolve no núcleo familiar, aparentemente nos anos 50.
A grande ideia do filme é que a natureza é mais forte do que a nossa vontade. Por mais que o pai queira, a mão do filho não é suficientemente grande ou ágil para arrancar a raiz da erva daninha, e as pragas sempre voltam.
Mas se é fato que a natureza é mais forte do que a nossa vontade, também é fato que a nossa vontade faz parte da natureza. (Frase estranha, parece que foi escrita pelo Patropi, da Escolinha do Professor Raimundo, mas faz sentido.)
A justaposição de longas cenas da natureza com cenas urbanas estão lá para lembrar que o homem faz parte da natureza, e portanto que as criações dos homens também fazem parte da natureza. Esse texto tá muito odara? O Terrence Malick sempre colocou longas cenas da natureza nos filmes dele. Mas dessa vez isso é central.
O pai rígido demais tenta vencer a natureza (o jardim é uma metáfora, ele tenta vencer a natureza dos filhos e dele próprio) com o que ele considera características mais virtuosas. E o grande problema dele é não perceber que essa é uma luta inglória.

Adorei o filme, gostei muito da parte dos dinossauros. Aliás, ele (Terrence Malick) podia fazer um filme apenas de dinossauros.