Dá para ouvir, no Youtube, algumas das fitas que a Judy Garland gravou. Ela queria escrever uma biografia, e por isso comprou um gravador. Pela voz dela, dá para imaginar que o aparelho só deveria ser ligado depois que acabava a segunda garrafa.
Alguns trechos são de partir o coração. Nesse daqui ela começa falando mal de jornalistas, e depois elogia o marido (provavelmente o quinto), que, segundo ela realmente a amava. Perto do fim dessa gravação, xinga o ex-marido e empresário e que levou seu dinheiro, e os advogados e juízes que, mancomunados, a separaram de seus filhos. “Eu sei bem como criar três crianças, e fiz isso bem!”
No fim ela ainda reclama dos fãs que escreviam para ela. E termina com uma frase: “Vão pro inferno, eu vou para a igreja todos os domingos!”.
A Judy Garland veio de uma família de artistas. O pai era um gay enrustido, a mãe era extremamente invejosa do talento da filha. Quando a garota se tornou uma estrela mirim, a mãe a fazia trabalhar incessantemente, e para isso, a viciou em anfetaminas.
Sem dinheiro, no fim da vida ela chegou a se apresentar por US$ 100. A atriz e cantora morreu pobre, com apenas 47 anos, mas parecia ter 67. A causa foi uma overdose.
Ela era – e ainda é – um ícone gay. Os protestos do bar Stonewall, em Nova Iorque, aconteceram nas primeiras horas do dia 28 de junho de 1969. A Garland tinha morrido no dia 27. O Rufus Wainright, um cantor muito talentoso e muito gay, é tão fã da Judy Garland que ele refez inteirinho o show dela em Londres. A apresentação, assim com as fitas dos monólogos da atriz, está disponível no Youtube.
