15 Outubro, 2009...6:18 pm

Poesia e jazz versus romance e roque

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Acabei de escrever que não sei nada de poesia, e é verdade. Mas sei que a poesia não tem, nem de longe, a popularidade que já teve. A poesia é o jazz da literatura. É preciso saber o que é enjabement para poder entender um poema e é preciso saber que a batida do Dave Brubeck tem um compasso diferente. Por isso que essas coisas são chatas. (Vou colocar um “para mim” – que acho ser prescindível, já que o que está neste espaço ou o que sai da minha boca só pode ser “para mim” – porque às vezes uma opinião só é aceita se vier com essa espécie de pedido de desculpas anexado)

Agora, para gostar de Animal Collective, por exemplo, não se precisa saber nada, é só ouvir – e dane-se se a batida é de cinco por cinco, que é diferente da tradicional, nhém nhém nhém. Essa teorização é afetação técnica. Para entender um romance também não se precisa se debruçar sobre cada palavra. Basicamente, se acompanha a estória. Claro que estou simplificando, mas a ideia geral da impopularidade dessas duas chatices é essa.

3 Comentários

  • Marília Calábria

    ‘para mim’ , jazz é audível. mas custa caro e enjoa fácil – ainda mais na minha condição de ‘não sei nada mesmooo’.

    poesia é sem comentários; BURP!
    hmm, teorização técnica é mania de querer saber mais, muitas vezes sem nada saber.

    agora, animal collective: ah, se todos pudessem sentir o mesmo ânimo que sinto ouvindo ‘my girls’, por exemplo.

  • Obrigado por iluminar a discussão de forma tão inteligente. E pensar que algumas pessoas perdem seu tempo precioso com debates super complexos, quando tudo é tão simples, segundo Gutierrez. É claro que você demonstra aqui que realmente não tem a menor ideia do que seja um enjambement pois, se soubesse, perceberia que ele realmente não impede ninguém de entender um poema, assim como sua descrição do jazz faria qualquer músico querer te dar um soco. Sua escolha do Animal Collective como “banda popular” também me parece vir de outro planeta. Mas palmas para o seu “Louvor da preguiça”… como jornalista, imagino que você apenas leia coisas bem simplinhas, para não ter que parar em cada palavra. Nada de Joyce, Pynchon, Stein, Hilst e coisas muito “poéticas”. Quando voltar ao Brasil, meu próximo presente de aniversário para você será um audiobook das Obras Completas do Paulo Coelho.

    beijos!

    Ricardo


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