A Eliane Brum escreveu esse texto sobre um episódio que aconteceu com uma atriz moçambicana. A moça sofreu discriminação racial aqui em São Paulo – no Shopping Paulista, que é perto da minha casa. Vou copiar aqui um pedacinho do texto dela:
“Ela (a atriz moçambicana) estava na fila da casa de câmbio, quando a mulher da frente, branca, loira, se virou para ela: “Ai, minha bolsa”, apertando a bolsa contra o corpo. Lucrécia levou um susto. Ela estava longe (…). Imaginou que havia encostado, sem querer, na bolsa da mulher. “Desculpa, eu nem percebi”, disse.
A mulher tornou-se ainda mais agressiva. “Ah, agora diz que tocou sem querer?”, ironizou. “Pois eu vou chamar os seguranças, vou chamar a polícia de imigração.” Lucrécia conta que se sentiu muito humilhada, que parecia que a estavam despindo diante de todos. Mas reagiu. “Pois a senhora saiba que eu não sou imigrante. Nem quero ser. E saiba também que os brasileiros estão chegando aos milhares para trabalhar nas obras de Moçambique e nós os recebemos de braços abertos.”
Bem, não tenho nada a dizer sobre o texto da EB – ela é uma das melhores repórteres em atividade e o texto não contraria isso. O que me deixou um tanto estarrecido foram os comentários que fizeram no blog. Um comentarista escreveu o seguinte:
“Verdade seja dita, ninguém morre de amores por ninguém. Vamos deixar de hipocrisia. Alíás isso é um fenômeno universal. Mas o que nos sustenta é a tolenrãncia e o respeito ao próximo, e pronto. Eu não tenho que morrer de amores nem por branco nem por negro, nem por nenhuma outra raça. Mas tenho que respeitar todos e basta. Por isso eu acho que essa história de racismo é muito mais para vender revista e aflorar os ânimos do que qualquer outra coisa.”
Racista é quem acredita que há raças superiores e raças inferiores. Amor – ou falta de amor – não tem relação nenhuma com isso. Mas se o comentarista acredita que os brancos são superiores aos negros – ou se ele acredita que os negros são superiores aos brancos – ele é racista. Se o comentarista consegue frear os seus impulsos racistas, menos mal. Mas ele continua sendo um racista. E o comentário desse imbecil mostra que “essa história de racismo” existe, sim. O fato de ser universal – o que é contestável, já que nem todo o universo é racista – só aumenta a importância o tema.
Outra coisa: não vou mais nesse shopping. Me recuso.
3 Comentários
23 Junho, 2009 às 1:44 am
Olha que ela nem tava “despenteada” ou com o cabelo cremoso. Imagine ainda se estivesse com moletom rosa-surf com touca?
Hmm, o preconceito racial existe e é fato. Mas o fator social – se a personagem é relevante economicamente ou não – determina qual caso merece mais ênfase para o “debate” junto com a sociedade.
23 Junho, 2009 às 5:33 pm
Fico triste em saber que que mais um fato de racismo aconteceu!!! Eu não aguento mais racismo, varias vezes que saio na rua acontece isso com meu pai e eu! Meu pai negro e eu branquinha, ou confunde ele com um namorado tiozinho! Falta de respeito não dá maisssssss……..
23 Junho, 2009 às 5:34 pm
OBS: Felipe, vc ta com twitter? Se tiver mesmo usa ele!