15 Junho, 2009...11:06 am

Diálogos são difíceis

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Sabe, vou com a cara do Marcelo Rubens Paiva. Acho que ele deve ser um cara inteligente, culto, e com bom gosto. Leio as colunas dele, mas não sempre. O problema é que quando ele tenta fazer ficção não dá muito certo. Os diálogos não soam muito bem, fica uma sensaçãozinha de que ninguém realmente diria aquilo.

O blog do MRP não é muito diferente das colunas. Acho que ele publica colunas antigas no blog.

Não entendo nada de teoria literária, então pode ser que eu escreva algumas bobagens aqui. É tudo chute, ok?

Acho que um dos aspectos que dificultam a criação de diálogos é que é preciso condensar num trecho curto algo que, na vida real, se diria de forma muito mais prolixa. E, claro, o resultado tem que parecer um diálogo possível, que, se não aconteceu, poderia ter acontecido – e quem lê tem que achar isso. Agora veja:

“Você sabe há quantos meses não metemos?”, ele perguntou.
Ela assoprou a fumaça no rosto dele, jogou a bituca pela janela e comentou ligeiramente impaciente:
“Que romântico… Você fez as contas, é?”
“Fiz. Sabe?”
“Quantos?”
“Três.”
“Três meses? E isso é muito ou pouco?”
“Muito.”
“Você quer parar num hotel agora? Tem um monte por aqui nos Jardins.”
“A questão não é essa.”
“E qual é?”
“Por que não ‘transamos’ mais como antigamente?”
“Não sei. Por quê?”
Devolver a pergunta foi a resposta mais eficaz. Isso mesmo, por quê? Afinal, não era só dela a culpa, se é que culpa seja a conduta a ser empregada.
“Por que casais param de trepar?”, ele perguntou.
“Não sei. Por quê?”
“Tesão acaba.”
“Acaba?”
“Acabou?”
“Não. Sei lá. Acho que não. Acabou?”

Não deu, né?

O legal do MRP é quando ele conta alguma coisa que aconteceu com ele, como a descrição do encontro com a Courtney Love.

3 Comentários

  • Não imagino ninguém dizendo “metemos”, mas soa ainda mais falso por ele dizer isso e depois assumir o papel de namorada magoada pelo resto da conversa. Gostei não.

  • Concordo.
    Acho que diálogos são feitos para suprir a necessidade do ‘poderia ter dito’ em uma circunstância onde faltou coragem ou repertório, na minha opinião mais repertório do que coragem, mas enfim. Imaginar o que dizer e expressar de forma clara e condensada me parece como roteirizar um cotidiano real, como nos filmes, provocando a catarse e, ao mesmo tempo, o descolamento com o real.

  • Marília Calábria

    Diálogos são úteis e blablabla whiskas sachê. Demorou pras relações, apesar de rápidas, serem ao menos “na lata”. A única coisa que não entendo, ainda mais na condição de ser mulher, é pq raios a grande maioria delas trocam sexo por chocolate. NÃO ME CONFORMEEEI.

    #prontofalei.


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