Pode reparar: quem não participa de protestos que fecham o trânsito quer mais é que quem está empunhando as faixas – ou gritando slogans ou ainda só fazendo volume – tenha uma morte lenta e sofrida. Muito, muito dificilmente os manifestantes ganham a empatia dos demais.
Acho que os organizadores da Massa Crítica perceberam isso e se esforçam para não irritar os motoristas, pedestres ou quem quer que seja.
Em alguns momentos durante a pedalada, um ou outro carro tentava atravessar a massa de bicicletas. Alguns veteranos de Massa Crítica pararam em frente aos veículos e pediam, com muita gentileza e polidez para que o motorista esperasse a multidão de duas rodas passar.
No último sábado devem ter participado umas 200 pessoas (chute meu). Normalmente a Bicicletada não agrega tanta gente assim. Um dó. Antes de começas o percurso, eles distribuíram um panfleto, do qual reproduzo alguns trechos:
“A Bicicletada é uma iniciativa civil de promoção dos meios de transportes não-motorizados que acontece no Brasil desde 2002. Os encontros são marcados sempre na última sexta-feira de cada mês, a partir das 18h, na Praça do Ciclista (Av. Paulista com Consolação).”
“A Bicicletada não é apenas um passeio, é uma celebração do transporte inteligente e um espaço de reivindicação, troca de experiências e articulação em favor da mobilidade sustentável.”
Não sou muito familiarizado com a Massa Crítica ou com as idéias da Bicicletada. Mas como ciclista tenho algumas reivindicações próprias. Claro que entre elas está uma nesga de asfalto para poder pedalar sem temer pela vida (como em Berlim, em Seattle, no Rio e em pencas de cidades civilizadas). Mas essa, em São Paulo, nunca vai ser atendida. As estações de metrô poderiam ter mais estacionamentos para bicicletas. Deve ser bem barato. O mesmo conselho para estabelecimentos comerciais (OK, Conjunto Nacional?).
Acho que logo mais, no Apocalipse Motorizado, vão aparecer outros relatos como o meu (além de fotos e vídeos do último sábado).

Foi ótimo mesmo! E um rumor que acabei de ouvir: parece que ESTAPAR (aquela empresa de estacionamentos) liberou as bicicletas de pagarem todos os dias para todo o sempre em São Paulo não só no dia mundial sem carro… ainda preciso averiguar isso.