Hoje fiz algo inédito na minha vida. Li alguma coisa do Paulo Coelho. A entrevista que ele concedeu ao Estadão. Ele fala basicamente sobre mercado editorial e a possibilidade, cada vez menos remota de que grande parte do mercado de livros migre para o formato digital. O cara é muito simpático e esclarecido na entrevista. E sempre me surpreendo com o sucesso comercial dele – na entrevista, diz que vendeu 135 milhões de cópias. Não consigo nem imaginar o que seja isso, é muita gente lendo. Será que 135 milhões de pessoas leram Guerra e Paz, por exemplo? Acho pouco provável.
Vou copiar aqui alguns trechos da entrevista – que está, na íntegra, aqui.
Você chegou a perguntar a Fernando Morais sobre quanto tempo demoraria para seus livros serem esquecidos. Acredita em uma vida longa (ou mesmo eterna) a partir do mundo digital?
A carta no final da biografia é mais retórica do que qualquer outra coisa. Mas acredito que o mundo digital oferece essa possibilidade. E tenho exemplos concretos a respeito: filmes. Vários filmes que eu gostaria de ter visto e desapareceram do mapa e das locadoras, podem ser encontrados em sites P2P. Então o cinema renasce, apesar de as pessoas chamarem isso de “pirataria”.
Bem, tenho um caso concreto para contar que se relaciona, de alguma maneira ao que o Paulo Coelho disse. Como disse aqui antes, comprei O Caso do Camarada Tulayev, do Victor Serge no Estante Virtual. Paguei muito (se bem que agora, no mesmo site, só tem um único volume e está ainda mais caro – R$ 100). É de uma edição de 53. Velha, caindo aos pedaços, incômoda de ser lida, num Português que já está duas reformas ortográficas ultrapassado. Se houvesse uma edição nova, com páginas ainda brancas, estaria com ela na mochila. Eu não gosto de ler livro (objeto) velho. Isso não acontece porque nenhuma editora se interessa por lançar O Caso do Camarada Tulayev. Algo mais provável: daqui a alguns anos eu vou um Kindle (ou um genérico) e pode ser que eu encontre O Caso do Camarada Tulayev em versão eletrônica.
Voltando ao Paulo Coelho:
E você teme a pirataria de e-books?
Eu não temo pirataria em nenhuma área. Veja a resposta que dei sobre o cinema – se não fossem os sites de compartilhar arquivos, não poderia ver muitos dos filmes que estavam na minha lista, mas tinham desaparecido do mercado. Por sinal, tenho meu site Pirate Coelho e, entre a primeira resposta e essa, vi que foram baixados 155 arquivos em diversos países do mundo.
Durante uma entrevista baixaram 155 arquivos. Sensacional, não? Eu acho, sinceramente.