1 Julho, 2008

Detesto velho tarado

Um tio avô meu ia todos os anos pescar no Pantanal com os amigos. Não sei quanto tempo eles ficavam lá, nem conheci ele direito, só sei que era um velho meio escroto, meio bêbado. Quem me contou a história foram meus pais, não me lembro direito dos detalhes, ela está cheia de falhas. Ele nem é meu tio avô, ele é marido da prima da minha avó. E acho que ele morreu. Nem sei direito.

Mas aí vai: ele e os amigos iam todos os anos pescar no Pantanal. Num ano as mulheres deles disseram que queriam ir junto e os amigos aceitaram levá-las. Não tinha jeito. Eles chegaram no hotel e encontraram um funcionário que eles encontravam todos os anos. Esse cara olhou as mulheres dos velhos escrotos e disse que as putas estavam feias naquele ano.

Me lembrei dessa história depois de ler o texto abaixo, em algum lugar no site da Vice. (A piadinha do “Rio de Janeiro part of Mexico” é o seguinte: para os americanos, tudo que é abaixo dos EUA é México. Mais ou menos como para os paulistas tudo acima de São Paulo é Bahia).

I remember one time, about ten years ago, I was in the Rio de Janeiro part of Mexico on a skateboard tour when I met a group of boisterous, middle-aged American men at a bar who were going on and on about their sexual exploits the night before. From the sounds of their conversation it sounded as if they were the Official Olympic USA Fuck Team. One shlub, who looked like a less attractive, fatter George Costanza, was detailing his evening of ménage a trios with a double order of butt sex and jabbing his fingers into the air in a reenactment when I saw his wedding ring. I scanned the hands of all the men and saw wedding rings on each and every one of them. Suddenly they had my full attention. I was maybe 23 at the time and was very curious how these ugly men were able to maintain such healthy and dirty sex lives with their wives, so I asked. “It sounds like your wives are still down for a good time. What’s the secret?” They all broke into laughter like Gallagher had just smashed a watermelon right there on the bar in front of us.

“Wives? Shit. We aren’t talking about our wives. Most of our wives haven’t touched our pricks since Reagan was in office. I don’t think mine could find it with a road map.” Again they laughed, and another watermelon died. One of the men explained, “No, see, we come down here once a year for a ‘conference meeting.’ [Yes, he did do air quotes with his fingers.] We stay two weeks and do nothing but fuck whores. We’ve been doing it since 1983.” “Breakfast,” one guy added, “and lunchtime are the only times we see each other the whole trip. After this we’ll go to our rooms and suck and fuck ’til the cows come home. And our wives ain’t got a damn clue.” Raise your bottles and cue the watermelon. I remember thinking to myself, just as the pits and the rinds covered our faces, what would really be funny is if one of these guys caught AIDS and took that souvenir home to the missus. Boy, how we’d laugh then.

CHRIS NIERATKO
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30 Junho, 2008

This is how we walk on the moon

Saí do elevador e a Dona Maria - achei melhor tomar essa precaução no telefone e chamá-la assim, de “Dona” - me recepcionou com um cachorrinho recém-nascido no colo. O cheiro do apartamento era nauseante.

Depois de me mostrar os cômodos, me contou que foi assaltada ali perto há duas semanas. Disse, também, que quando se mudou para esse apartamento, a alguns anos, veio expulsa do lugar onde morava. Comecei a gostar dela, apesar dos cachorros. Ela me perguntou se eu estudava e eu disse que não, que já estava formado. Eu contei o que fazia e ela disse que tem a mesma profissão. Ela falou o nome da escola em que se formou e é a mesma em que eu me formei.

Parei com o “Dona”. Ela tinha várias tatuagens. Quem tem vários discos do REM e livros bacanas pela casa não gosta de ser tratado desse jeito, como se fosse a mulher do restaurante por quilo.

Esse título do post é o título de uma música do Arthur Russel. Adoro essa canção. Sempre que a ouço parece que ele é um amigo meu, explicando para alguém que não nos conhece como nós somos, como nós dançamos (não sei dançar, apesar de a minha não-dança ser, também, uma dança), como nós chegamos às mesmas conclusões. E é ótimo achar alguém que você acha que andaria na lua como você. Ainda mais se for uma serendipity (das coisas mais lindas que podem acontecer).

29 Junho, 2008

Preciso urgentemente encontrar um(a) romancista

Pelo que os jornais dizem, o Miguel Sanches Neto, autor de um romance intitulado A Primeira Mulher, é o grande autor da sua geração (ele tem 40). Fiquei decepcionado e triste depois de ler o livro. Achei fraco. Pior: achei desnecessário.

O protagonista, um professor de literatura que tem a irritante mania de não colocar artigo antes dos nomes das pessoas, se vê envolvido numa trama político-criminosa. Infelizmente não tenho muito mais para dizer além disso.

29 Junho, 2008

A Emily Haines

Ontem fui ao Motomix. O Metric se apresentou por último. A banda é uma vocalista e uns outros caras absolutamente irrelevantes.

Entrei na Wikipedia e descobri que ela se chama Emily Haines, é filha de um poeta com uma jornalista de televisão e nasceu na Índia. Ela também canta no Broken Social Scene. E nem precisa dizer que é deslumbrante. Aquela mulher é mais bonita do que prêmio da mega-sena acumulada. Por que eu não conheço ninguém assim?

22 Junho, 2008

15 fãs são melhores do que 15 minutos

“O Andy Warhol tinha dito que no futuro todos terão 15 minutos de fama, mas ele errou, todo mundo vai ter seus 15 fãs”, falou o Calanca, da Baratos Afins. A frase foi pensada e proferida como se esses 15 fãs equivalessem ao ridículo, ruim, fracasso travestido de sucesso. Mas a profusão de bandas ou músicos ou estilos só tem vantagens. Muito mais gente é contente dessa forma.

22 Junho, 2008

Do NY Times

22 Junho, 2008

Não compre parcelado

Endividamento cresce 47% em 26 meses

Mais de 15 milhões de clientes de bancos têm dívidas acima de R$ 5.000, aponta cadastro do BC; dado já preocupa o governo

Universo de clientes com alguma dívida, mesmo que pequena, é de 80 milhões; cada consumidor tem, em média, 3 débitos diferentes

JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O alongamento dos prazos de financiamento, principalmente de automóveis, não é a única preocupação do BC em torno das operações de crédito de pessoas físicas. O alerta está aceso também para o aumento do endividamento das famílias.

Começa dessa forma a matéria sobre endividamento que é manchete da Folha de S. Paulo de hoje. Há alguns meses o ministro da Fazenda, o Guido Mantega, preocupado com a inflação e com o endividamento dos consumidores, sugeriu que as revendedoras de carros parassem de vender carros com prestações cujos vencimentos ultrapassam cinco anos. Ele recebeu uma saraivada de críticas. Agora o Banco Central mostra que está achando o negócio ruim para a economia e todo mundo concorda. E ninguém diz nada. Incrível.

22 Junho, 2008

Comecem a usar roxo

Gogol Bordello

Copiei essa foto do You Ain’t No Picasso. É o líder do Gogol Bordello. Um palpite: eles vão tocar no Brasil ainda neste ano.

E como eu sou metido vou contar que vi uma apresentação de um dos caras do Gogol Bordello em Viena, provavelmente num dos lugares mais bacanas que conheci: o Rhiz. Ele e a Pamelia Kurstin.

22 Junho, 2008

Treta no Mais!

O Mais! publicou um rol de opiniões sobre quem seria o maior da literatura brasileira, o mais mais da academia, o bãmbãmbãm dos romances. Machado de Assis ou o Guimarães Rosa. Ganhou o carioca.

Fiquei contente sabe por quê? Porque sou metido. Faz um tempo tive uma discussão exatamente igual. E eu defendia o Machadón. Mas perdi a discussão. O que talvez signifique que eu tenha que melhorar minhas habilidades de persuasão.

Olhem o que escreveu o Alcir Pécora:

O autor

Machado vence o derby por uma cabeça. O estilo elegante, o raciocínio fino, o comentário irônico, o humor ático, o ceticismo engenhoso, a habilidade de fazer e desfazer o romanesco sem perder o fio da meada, o moralismo demolidor que associa cada ponto de vista ao um jogo de enganos: tudo isso junto e funcionando bem torna Machado imbatível em competições com escritores brasileiros modernos.

Rosa, campeão da experimentação lingüística, por vezes permite que a exuberância da linguagem mascare um ponto de vista, senão populista, bem próximo ao senso comum: a ciência não explica tudo, o doutor não sabe que não sabe, a mitologia popular é sábia, o que acaba resultando em sentenciosidades do tipo “viver é muito perigoso”, “o mundo é misterioso” etc.
Depois, em dias nublados, mareia um pouco o rosês.

A obra
É quase aleatório escolher entre “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Quincas Borba” e “Dom Casmurro”.

Incluiria também nesse grupo “Esaú e Jacó”: uma ficção tão perfeita que até finge melhor que as outras ter como narrador o “verdadeiro Machado”. Mas voto em “O Alienista”, que reduz ao essencial o problema machadiano de minar a autoridade do narrador em dizer o real e, ao mesmo tempo, impedir que se diga que o real é relativo.

Todos se enganam, mas o engano é real. Se por “obra” se deve entender livro, e não texto isolado, aposto em “Dom Casmurro”, não por ser melhor que os outros citados, mas por ter conseguido colocar seus leitores e críticos, eles próprios, num desesperado derby -traiu?, não traiu?-, que, ao contrário do proposto pelo Mais!, não admite fim, nem descanso. Os apostadores morrerão antes do fim do páreo.

ALCIR PÉCORA é professor de teoria literária da Universidade Estadual de Campinas (SP) e autor de “Máquina de Gêneros” (Edusp).

16 Junho, 2008

Eleições são divertidas - 12

Trechos de matéria da Folha de hoje:

Antes de assistir, de camisa verde e amarela, à derrota da seleção, Alckmin foi irônico ao responder se haveria chance de aliança no primeiro turno. “Existe, desde que o DEM não tenha candidato.”

Ao discursar (…) Kassab disse apostar na aliança, “apesar da vontade de alguns líderes do PSDB”. (…) Ao responder se Alckmin era o destinatário da crítica, Kassab disse apenas que não queria fulanizar.

E um pedacinho da matéria sobre o apoio que o Kassab recebeu do Alberto Goldman:

(…) Goldman acabou vaiado por ter cometido dois atos falhos -ele chamou Kassab de Geraldo Alckmin e, depois, de Geraldo Kassab.
Em seguida, se justificou: “Nossa aliança é tão forte que confundi os nomes”. “Como disse Kassab, Alckmin faz parte do seu governo”, disse.